Devo ou não abrir uma empresa para o negócio que vou criar? A resposta é "Sim mas ...".
O mas tem muitas coisas sendo que uma é a questão fiscal e a outra é a própria pessoa que faz a pergunta.
Olhando para a parte fiscal, a questão coloca-se geralmente comparando a criação do negócio como uma empresa ao abrigo do IRC ou desenvolver o negócio como particular e sujeitar-se às regras fiscais do IRS. Em ambos os casos é necessário prever os custos com a Segurança Social.
Geralmente e olhando apenas para a parte fiscal a resposta é "Sim, uma empresa é mais favorável". Eu, no entanto, prefiro responder aos meus futuros clientes com "Sim, uma empresa é mais favorável mas vamos estudar isso em conjunto".
Vamos ver o seguinte caso. Um casal sem filhos e sem rendimentos neste momento vai explorar um pequeno restaurante totalmente já equipado. Não têm de fazer obras. No fundo vão explorar um espaço já devidamente equipado e licenciado para a actividade da restauração. As suas previsões apontam para uma facturação anual a rondar os €60.000,00.
A simulação para este caso está neste Google Docs.
No caso de optarem por desenvolver o negócio em sede de IRS, a opção poderá ser pelo Regime Simplificado da Categoria B do IRS que não obriga a contabilidade organizada. Ao nível da Segurança Social, ambos os membros do casal são considerados trabalhadores independentes.
Neste caso e não tendo mais rendimentos para além dos referidos, ao fim de um ano de actividade o IRS a pagar (colecta líquida de IRS) é de €1.362,70 e as contribuições para a Segurança Social totalizam €6.992,68. Assim, a "carga tributária total" é de €8.355,34. Dividindo este valor pelos €60.000,00 de rendimento bruto, a "taxa efectiva de tributação" é de 13,93%.
É muito ou é pouco? Bem temos de comparar com algo.
Vamos supor que o mesmo negócio vai ser desenvolvido criando uma empresa. Os membros do casal vão ser sócios gerentes e vão ser remunerados mensalmente com o salário mínimo nacional para minimizar os encargos sociais na esfera da empresa. Como ninguém consegue viver com um salário líquido mensal de €431,65, os sócios vão realizar adiantamento de lucros mensais no valor de 50% do resultado. Após uma análise dos custos e sem que existam encargos sujeitos a tributação autónoma em sede de IRC, chegou-se à conclusão que o resultado tributável é de 15% do volume das prestações de serviços.
Neste cenário o IRS é decomposto em duas parcelas que totalizam €1.801,14 sendo €541,40 dos rendimentos englobados e €1.260,00 dos rendimentos taxados via taxas liberatórias do IRS. Os custos pessoais em termos de Segurança Social totalizam a fim de um ano €1.493,80.
E a empresa? A empresa é taxada em sede de IRC a uma taxa de 25%, ou seja, €2.250,00.
E temos todos os tributos para calcular a "carga tributária total" neste cenário. Essa carga é de €5.545,20 e representa uma "taxa efectiva de tributação" é de 9,24%.
E aqui está: sim uma empresa é geralmente mais vantajosa em termos ficais. Mas ... há outras coisas que têm de ser analisadas na parte fiscal! Por exemplo, no caso de se optar pelo regime descrito em sede de IRS, no final do mês o casal pode retirar o dinheiro que quiser para si do caixa ou do banco onde tem a conta do negócio sem nenhuma formalidade adicional. Esses rendimentos já foram taxados em sede de IRS. Na empresa, levantar lucros estão sempre sujeitos a uma tributação a taxas liberatórias de 28% ou a uma retenção na fonte de igual valor caso se opte pelo englobamento. A primeira opção tem o que eu chamo um "custo de liberdade" mas há quem prefira pagar mais para ter essa por essa liberdade formal e fiscal.
Disse que no mas havia a parte fiscal e questões ligadas às pessoas que vão cria o negócio. Essas pessoas estão conscientes que as questões formais de ter uma empresa são bem mais complicadas que num negócio em sede de IRS no Regime Simplificado? Essas pessoas têm tempo para organizarem a célebre pasta da contabilidade? Tem noção que numa empresa qualquer levantamento do caixa ou banco tem de ter suporte documental? Se as respostas a estas questões é "Não" então o melhor é não optar por criar uma empresa.
As pessoas não estão 100% seguras da capacidade do negócio gerar os €60.000,00 anuais do negócio? Então nesse caso é melhor optar por exercer a actividade em sede de IRS porque cessar a actividade é mais simples e rápido.
E se o negócio exceder as expectativas? Uma folha de cálculo como a que foi criada permite analisar esta questão. Se o negócio exceder o volume de facturação anual de €75.000,00, a opção por ter um negócio a nível individual começa a ser penalizador não tanto pelo IRS mas pela Segurança Social porque entra-se no patamar de desconto para a segurança social de 3xIAS.
Se chegou até aqui espero que ainda se lembre que este casal apenas queria abrir um pequeno restaurante. Se calhar depois desta explicação já desistiu de criar o seu negócio e contribuir para o PIB!
E lembre-se, por favor: as conclusões deste artigo apenas se aplicam ao caso específico apresentado. Abrir uma empresa é geralmente mais vantajoso mas tem de se ver sempre caso a caso.
Meus amigos, bem-vindos. Librotenado foi o melhor nome que consegui para este blog ... é esperanto e quer dizer apenas contabilidade.
Mostrar mensagens com a etiqueta IRS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta IRS. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 24 de julho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Taxa efectiva de IRS
As taxas de IRS são importantes mas mais importante é saber qual a Taxa Efectiva de IRS que se obtém facilmente dividindo a chamada Colecta Líquida (ou Imposto Liquidado) pelo Rendimento Bruto que constam das notas de liquidação do IRS.
Este rácio responde a esta pergunta: por cada euro que eu ganho quanto vai para IRS? Se a taxa efectiva de IRS for, por exemplo, 10% isto significa que por cada euro de ganho, 10 cêntimos vão para imposto em sede de IRS.
O valor 10% não foi lançado por mim à toa ... a taxa efectiva agregada do IRS em 2011 foi de 9,93%. Em termos agregados, os contribuintes portugueses tiveram em 2011 um rendimento bruto de 84.545 milhões de euros ao qual correspondeu uma colecta líquida de IRS de 8.395 milhões de euros. Dividindo este pelo primeiro valor obtém-se a tal taxa de 9,93%, ou seja, por cada euro ganho cerca de 10 cêntimos foram para IRS.
Faça esse cálculo para o seu IRS de 2011 (ou utilizando o simulador do IRS do Portal das Finanças para o ano de 2012) para ficar com esse rácio. É importante para efeitos comparativos com o ano de 2013 onde os escalões do IRS foram bastantes modificados.
A minha taxa efectiva de IRS em 2011 foi de 9.30%. Estou portanto na média. Mas contribuintes com rendimentos bem mais elevados que os meus vão encontrar taxas efectivas acima dos 20%. Assim, se ganha bem ... antes de fazer este cálculo, respire fundo!
Obviamente há que ter alguns cuidados ao aplicar este rácio a alguns contribuintes. Se, por exemplo, a maior parte dos seus rendimentos são taxados a taxas liberatórias este cálculo não se aplica a si. A sua taxa efectiva é a própria taxa liberatória. Se tem rendimentos que efectivamente não recebeu e eles representam uma parte significativa dos seus "rendimentos", cuidado ao fazer este cálculo porque a sua taxa efectiva de IRS é bastante mais elevada. Estou a pensar, por exemplo, nos contribuintes que têm sociedades em transparência fiscal que declaram lucros que podem não ter recebido. Ao rendimento bruto deve subtrair esses pseudo-rendimentos!
E então ... já calculou a sua taxa efectiva de IRS?
Este rácio responde a esta pergunta: por cada euro que eu ganho quanto vai para IRS? Se a taxa efectiva de IRS for, por exemplo, 10% isto significa que por cada euro de ganho, 10 cêntimos vão para imposto em sede de IRS.
O valor 10% não foi lançado por mim à toa ... a taxa efectiva agregada do IRS em 2011 foi de 9,93%. Em termos agregados, os contribuintes portugueses tiveram em 2011 um rendimento bruto de 84.545 milhões de euros ao qual correspondeu uma colecta líquida de IRS de 8.395 milhões de euros. Dividindo este pelo primeiro valor obtém-se a tal taxa de 9,93%, ou seja, por cada euro ganho cerca de 10 cêntimos foram para IRS.
Faça esse cálculo para o seu IRS de 2011 (ou utilizando o simulador do IRS do Portal das Finanças para o ano de 2012) para ficar com esse rácio. É importante para efeitos comparativos com o ano de 2013 onde os escalões do IRS foram bastantes modificados.
A minha taxa efectiva de IRS em 2011 foi de 9.30%. Estou portanto na média. Mas contribuintes com rendimentos bem mais elevados que os meus vão encontrar taxas efectivas acima dos 20%. Assim, se ganha bem ... antes de fazer este cálculo, respire fundo!
Obviamente há que ter alguns cuidados ao aplicar este rácio a alguns contribuintes. Se, por exemplo, a maior parte dos seus rendimentos são taxados a taxas liberatórias este cálculo não se aplica a si. A sua taxa efectiva é a própria taxa liberatória. Se tem rendimentos que efectivamente não recebeu e eles representam uma parte significativa dos seus "rendimentos", cuidado ao fazer este cálculo porque a sua taxa efectiva de IRS é bastante mais elevada. Estou a pensar, por exemplo, nos contribuintes que têm sociedades em transparência fiscal que declaram lucros que podem não ter recebido. Ao rendimento bruto deve subtrair esses pseudo-rendimentos!
E então ... já calculou a sua taxa efectiva de IRS?
Subscrever:
Mensagens (Atom)